A China fechou a cota. E a arroba subiu mesmo assim.
Sobretaxa de 55% vale até o fim do ano e a Abiec projeta 10% menos carne exportada em 2026. No campo, a oferta restrita levou boi gordo e bezerro a máximas nominais.
- 67%tarifa total na China desde 1º/10
- R$ 367/@boi gordo no início de outubro (Datagro)
- R$ 523/@bezerro, recorde nominal (02/10)
O que aconteceu
A China aplica desde janeiro uma salvaguarda sobre a carne bovina importada, com cota anual por país de origem, válida até 2028. A cota do Brasil em 2026 é de 1,106 milhão de toneladas. Em 29 de setembro, o Ministério da Agricultura confirmou que os embarques chegaram a 100% dela. Desde 1º de outubro, a carne brasileira que entra na China paga 55% de sobretaxa além da tarifa normal de 12% — 67% no total, o que, na leitura do mercado, inviabiliza novos embarques até dezembro.
O tamanho do que está em jogo: o Brasil responde por mais de 40% das importações chinesas de carne bovina. No primeiro semestre, a China comprou 794,7 mil toneladas do país, 24% a mais que em 2025, por US$ 4,87 bilhões. Em agosto, com a cota perto do fim, os embarques já tinham caído cerca de 90%. A Abiec projeta uma retração de 10% no total de carne bovina exportada pelo Brasil em 2026.
O que a indústria está fazendo
Os frigoríficos vinham segurando embarques desde julho para não cair na sobretaxa. Agora, o plano é antecipar abates em outubro e embarcar em novembro, para a carne chegar à China em janeiro, quando entra a cota de 2027 — 1,128 milhão de toneladas. A viagem leva de 40 a 45 dias. O presidente da Abiec, Roberto Perosa, avisa que, nesse ritmo, "se nada for feito, vai acabar em março": a associação propõe distribuir a cota de 2027 entre os frigoríficos, por histórico de exportação, para diluir as vendas ao longo do ano.
No mesmo dia em que a cota fechou, a China habilitou novos frigoríficos brasileiros e o governo anunciou abertura de mercados em Antígua e Barbuda, Chile, Argélia e Paraguai. A China também recusou a transferência da cota ociosa do Uruguai para o Brasil.
E o boi subiu
O efeito esperado era queda de preço no campo. Aconteceu o contrário: o boi gordo abriu outubro em máxima nominal, a R$ 367,2 por arroba na referência Datagro, e chegou a R$ 372,5 em 2 de outubro; os contratos de outubro na B3 passaram de R$ 388. O bezerro bateu R$ 523,4 por arroba, recorde histórico. A explicação é oferta: há menos boi disponível no Brasil, e a demanda global segue firme — nos Estados Unidos, a carne bovina também está em máximas.
Fontes
- O Globo, 29/09/2026 (cota esgotada)
- Agrimídia, 30/09/2026 (sobretaxa de 55%)
- Agrorevenda, 01/10/2026 (estratégia dos frigoríficos, 40% das importações chinesas)
- News Cariri, 02/10/2026 (tarifa de 67%, cotas 2026 e 2027)
- BeefPoint, 22/09/2026 (Perosa/Abiec, 794,7 mil t no 1º semestre)
- FarmNews, 05/10/2026 (bezerro na máxima histórica)
- FarmNews, 02/10/2026 (boi gordo futuro e físico na máxima)
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